a gente passou a vida toda decodificando metáforas. caçando vitórias em batalhas que já nasciam perdidas. mas a vitória real, a que importa, ela não é uma metáfora. ela tem 18 anos de história e um core limpo.
o sistema antigo rodava em loop. a gente entrava em arenas que não eram nossas. duelos de caixinhas de perguntas, disputas silenciosas com rock stars de barbearia. a gente se oferecia como o evento principal para quem só queria um show de abertura.
a arquitetura daquela vitória era falha. contaminada. um sistema operacional carregado de malware antes mesmo do primeiro boot. e a gente chegou tarde demais. o ex abusivo, a porra toda... o estrago já era a fundação do prédio.
e como um bom viciado em ruínas, eu tentei construir ali.
prefaciando oasis, a trilha sonora daquele desastre foi "don't look back in anger".
"please don't put your life in the hands of a rock n roll band who'll throw it all away"
e foi exatamente o que ela fez. sem pensar duas vezes, se jogou nos braços da porra de uma banda de rock. e nos descartou como um rascunho. um protótipo que não servia mais.
a minha resposta? seguir a porra da letra.
"i'm gonna start a revolution from my bed 'cos you said the brains i had went to my head... ...you ain't ever gonna burn my heart out"
a revolução silenciosa de quem para de construir no terreno alheio e começa a cavar a própria fundação.
mas por que, caro leitor, eu estou te contando isso? pra você aprender a ler a arquitetura. pra nunca mais confundir a vida real com a de plástico.
a vitória de plástico atende pelo mesmo nome, mas é só uma flor de vitrine. a vitória real... ah, a vitória real tem outra arquitetura.
o cenário? a porra de um olhar. um supermercado. um dia familiar. dois sistemas com códigos-fonte totalmente diferentes. eu olhei pra ela e vi uma cpu que nunca teve um sistema operacional rodando. uma arquitetura tão enxuta que parecia a porra de um ubuntu. livre. sem amarras. sem extensões ocultas.
ela olhou pra mim como o jobs devia olhar pra um barbeador da braun. um design estranho, mas que, por algum motivo, fazia sentido.
a gente não era uma opção. a gente era a porra do evento principal. um para o outro.
aqui não tem disputa. aqui não tem performance. aqui tem um "tanto faz quem você foi, o que importa é quem você é comigo". aqui tem um "com você eu vou de bike, de charrete, não importa".
então, enquanto você lê cada linha, nunca, jamais, confunda uma vendedora de sonhos com uma jardineira.
eu entreguei tudo pra ela. e ela me devolveu em dobro.
e hoje, 12 de outubro de 2025, esse arquiteto de catedrais a pediu em namoro. ela respondeu com um sorriso. "felipe, aonde você for, eu vou."
parça. eu apresentei essa mina para minha mãe.
essa vitória já ficou.
ela ficou por escolha.
e eu vou dar o meu melhor para construir um chão que aguente o peso de uma coisa real.