manual de sobrevivência para arquitetos de ruína (as minhas 5 leis ou 4)

lei numbeerrrr one: sua mente é a porra de um motor v12 numa via não pavimentada

uma mente de alta performance precisa de um problema externo para resolver. se você não der a ela um, ela vai se virar contra si mesma. ela vai começar a "resolver" você ou, pior, vai tentar "resolver" as minas mais legais que você vai encontrar pelo caminho. vai criar teorias, analisar traumas, otimizar relacionamentos até a falha. você vira o projeto. e o resultado é sempre o mesmo: paralisia.

marcha: encontre a porra de uma obra. um projeto externo. um negócio. uma habilidade. algo no mundo real que exija a sua genialidade e que não seja a sua própria cabeça. uma mente como a nossa não foi feita para meditar no silêncio. foi feita para construir no meio do barulho.

lei dois, NÃO PLANTE MAIS ARVORES NO TERRENO DO VIZINHO.

é tentador. encontrar alguém (ou algo) que pareça ter a estabilidade que te falta e construir sua vida em cima daquilo. um relacionamento, um emprego, um amigo. o problema é que você não está construindo uma parceria. você está terceirizando a porra da sua própria estrutura.

ação: assuma que seu terreno é um pântano. seu primeiro e único trabalho é construir a sua própria fundação, no seu próprio terreno. isso significa estabilidade financeira mínima, uma rotina que você controla, uma fonte de valor que vem de dentro. antes de convidar alguém pra morar no seu prédio, tenha a porra de um prédio pra oferecer.

lei 3, estabilidade é chata pra cacete, mas por é só por isso que funciona

se você, assim como eu, foi forjado no caos, a paz soa como tédio. a estabilidade parece a morte. seu sistema é viciado na adrenalina da crise, na intensidade do quase-acidente. você cria o fogo só pra ter o que apagar.

ação: disciplina para aguentar a porra da paz. comece a medir o sucesso não pelos picos de euforia, mas pela consistência. um dia de trabalho focado e "chato" vale mais que uma semana de "genialidade" caótica. a construção de verdade não é um evento. é um processo tedioso, repetitivo e lento. acostume-se.

lei quatro, a morte do avatar que você criou (o mausoléu de 45 mil fotos viajando)

você pode passar anos construindo um personagem perfeito. o viajado, o bem sucedido, o cara do "rolê foda". mas o avatar precisa de combustível constante: validação externa, dinheiro rápido, experiências de pico. e esse combustível sempre acaba.

prática: mate o seu avatar antes que ele morra de fome e leve você junto. troque a busca por uma "imagem foda" pela busca por uma "obra sólida". uma empresa real, um projeto concreto, uma habilidade que ninguém pode tirar de você. a admiração que vem de uma obra real dura muito mais do que os likes em uma foto de viagem.

Conclusão:

real? nem eu não sei se esse manual funciona. eu ainda estou no meio da obra. a única coisa que eu sei é que, pela primeira vez, eu não estou mais analisando a ruína. eu estou com as mãos sujas de cimento. e isso tem sido o suficiente. tô no chao da fábrica, mas dessa vez não tenho peças de xadrez num jogo de pôquer.