sobre robôs, portos e fios cortados

você disse que se sentia um robô que eu queria configurar. que eu usava skinner. engraçado. a minha leitura sempre foi outra: eu nunca quis te configurar. eu queria te atualizar. você mesma admitiu: o seu mundo é pequeno porque é confortável. você é estagnada. quem ama o estagnado, apodrece junto. eu tentei te puxar para o movimento. você chamou isso de controle. eu chamo de crescimento. a incompatibilidade estava aí: o meu software não roda em modo de espera.

e sobre ser o "porto seguro"... essa foi a despedida mais cruel que você poderia ter escrito. me chamar de porto seguro é a sua forma educada de dizer que eu sou a opção lógica, a opção saudável, a opção que você procura quando o caos do rômulo ou a adrenalina do jason te machucam. eu recuso esse cargo. eu não sou a sala de espera onde você se cura pra voltar pra guerra. um porto seguro serve para ancorar barcos. eu sou mar aberto. se você tem medo de navegar e prefere a sua "bolha de polaris", não culpe o oceano pela sua falta de bússola.

você diz que acredita fielmente que sou seu "eterno fio vermelho" e que "a gente sabe se encontrar". não. a gente sabia. isso não é uma promessa de amor, vitória. isso é uma reserva de mercado. você quer me deixar na prateleira, etiquetado como "disponível no futuro", para garantir que, se tudo der errado na sua vida de liberdade, o idiota vai estar lá.

hoje eu cortei o fio. não existe "momento certo" no futuro para quem não tem coragem no presente. a vida acontece agora. a lama é agora. a construção é agora. 

você escolheu a estagnação. o mundo pequeno. a fragilidade. é um direito seu. mas não espere que eu aplauda a sua covardia só porque você a escreveu com palavras bonitas e citou teorias psicológicas.

fique com o seu deserto. fique com a sua memória seletiva. fique com a certeza de que você foi amada por alguém que era grande demais para caber nessa sua caixa que você chama de vida.