sonhei com você
mas não era piri, era parque aconcágua
2026, talvez
não dava pra saber pelo céu, mas era um céu limpo
de inverno, sabe aquele sol frio, cortante
memórias espalhadas nos cantos do parque,
mas dessa vez tinha algo diferente
um broto de 1,20 de altura,
criatura difícil, tão incomum
assustadora e, ao mesmo tempo,
o centro de tudo que era bonito ali
não entendia uma linha do que saía daquela mente
tudo meio estranho, desencaixado
e, mesmo assim, tudo fazia sentido pra mim
só porque aquele monstrinho tava do meu lado
passos curtos, tropeçando na trilha
um serzinho que eu não sabia decifrar
mas ali, com ela,
o parque parecia respirar
um cenário inteiro, refeito por uma presença que
ninguém no mundo ia notar
mas que mudava tudo, até o cheiro da grama
tinha medo, tinha ternura
olhava e via feiura e beleza ao mesmo tempo
é foda, porque ninguém ensina
a gostar do que é esquisito
ninguém prepara
pra quando a coisa mais incrível da sua vida
vem disfarçada de bicho estranho
um pouco perigoso, um pouco mágico
mas inteiro real
e ali, no aconcágua, longe do resto,
a vida inteira fazia mais sentido
quando andava ao lado de um monstrinho
que só eu via inteiro
e talvez, só ali,
eu também virasse
algo quase bonito