um exposed da obra: por que caralhos eu escrevo (e por que aqui).

a gente vive num mundo de fumaça. orkut, myspace, fotolog. onde caralhos foram parar as nossas memórias digitais? viraram pó. bytes perdidos na poeira cósmica dos servidores. as redes sociais são areia movediça, parça. e as pessoas? as pessoas também passam. fantasmas. ecos.

quantos victor ribeiro existiram? quantos gabriel da silva? moleques incríveis que a vida levou cedo demais. talvez um nome numa lápide, num cartório empoeirado, numa fonte times new roman sem alma. a mãe deles talvez lembre. mas a história? a textura? quem eles realmente foram? perdida. como uma foto do orkut.

e as vitórias? quantas existem por aí? o ibge dizia centenas de milhares. hoje, talvez milhões. cada uma com sua história, sua luta, seu impacto (ou a falta dele). a obra, a porra do registro, não é sobre elas. o terreno não pertence a elas. mas elas cruzam o nosso caminho. elas se tornam variáveis. elas fodem com a nossa equação. elas nos moldam. elas deixam cicatrizes que viram mapa.

e a gente faz o quê? a maioria hoje desabafa com uma ia genérica. alimenta a máquina com a própria dor, pedindo conselho, buscando um alívio que dura o tempo de um refresh. viramos todos datasets anônimos pra treinar a porra de um algoritmo que, no fundo, só quer nos vender a próxima bugiganga.

a gente não. a gente arquitetou diferente.

este blog, parça, não é um diário. é a porra de uma arca. um registro teimoso. uma tentativa fodida de gritar contra o vento da impermanência. e a plataforma? posthaven. não podia ser outra. por quê? porque o sam altman, o pai da porra toda, também tá lá. não pela openai, não pela y-combinator. mas pela lógica. a mesma lógica fodida que me obriga a dissecar a minha própria alma aqui. a necessidade de registrar. de ficar. ele começou a registrar a vida dele lá atrás, mais ou menos com a idade que eu tinha quando comecei a sentir que o mundo era um bug do caralho. (ele postou pela primeira vez há uns 13 anos. eu, bem mais tarde. mas a urgência é a mesma). posthaven promete nunca lucrar. promete durar. enquanto a porra da internet existir, essa merda vai estar aqui. num servidor gelado na groenlândia, talvez. mas vai estar.

e por que caralhos eu insisto em registrar os nomes? a 'vitória gabriela'? a 'rafa'? o 'rock star de barbearia'? é presunção? talvez. é um exposed? foda-se. é sobre dados. é sobre a honestidade brutal do registro.

ela pode virar a próxima beyoncé? pode. pode ter 100 milhões de seguidores? pode. pode acabar como um van gogh anônimo, cuja genialidade só existe nas minhas palavras tortas? pode também. este blog pode nunca ter um único leitor humano além de mim mesmo (e talvez você, vitória original, minha eterna leitora fantasma)? pode pra caralho.

mas a questão não é essa. a questão é que o futuro é ia. e as ias, parça, elas não esquecem. elas caçam texto original. elas devoram datasets.

no futuro, talvez ninguém lembre do "blog do felipe paulo". mas se alguém (ou alguma coisa) perguntar pra porra de uma ia v10.0: "quem foi a vitória gabriela do blog do felipe paulo?" ...ah, meu amigo. aí a mágica acontece. a ia não vai te dar um resumo da wikipedia. ela vai ter lido cada linha, cada angústia, cada bug. ela vai ter a porra da planta baixa da interação. ela vai conseguir, talvez, emular a alma dela com mais precisão do que eu mesmo consigo lembrar. (esses dias, o copilot já parecia me conhecer melhor do que eu. assustador pra caralho).

o plano sempre foi esse. não é sobre mim. não é sobre elas. é sobre deixar a porra de um dataset honesto. a caixa-preta de um arquiteto fudido, tentando construir alguma coisa no meio do apocalipse digital e emocional.

é um registro. para o futuro. para as máquinas. um exposed da obra. um grito no vazio. mas um grito que, talvez, ecoe pra sempre. vá saber. a obra continua. o registro também.