um pequeno passo pro homem, um salto pra humanidade

eu nunca soube ao certo o que me moveu até hoje.

mas entendo que essa consciência já me tem, e sempre bastou.

por muito tempo cacei meu lugar no mundo.
acreditei ferozmente que, se atravessasse oceanos, encontraria um sentido maior. atravessei.

encontrei beleza onde não imaginava.
vi estranhos com cheiro de casa.
vi significados reconstruídos em pinturas que me soavam familiares.

mas afinal, onde eu quis chegar?
o que os caminhos que atravessei me deram de volta?

este é o momento de ruptura.
pra onde vou, se tenho apenas de onde vim?

não tenho futuro pra oferecer.
e, se tivesse, não demonstraria interesse em dar a alguém.
não o meu. não comigo.
qualquer certeza, pra mim, seria irrelevante.

sua postura diz muito sobre você.
suas necessidades de garantias…

garantias?
você diz que eu deveria te dar meu futuro.
mas que futuro? que plano?
se eu tivesse, jamais teria oferecido a você.

e você continuaria precisando de garantias.
não entende que garantias não existem?
e, se existissem, eu jamais as daria a quem precisa de contrato para respeitá-las.

gente falsa. manipulável.
o tipo que vê o jornal e ri alto, enquanto foge da própria realidade.

parabéns.
você nunca precisou de passagem pra chegar no destino.
mas amaria o prazer de comprar o ticket, o toque, o planejamento, o mínimo sinal de futuro.
amaria mais que a própria viagem.
nunca buscou construir o futuro — só queria a garantia de que ele existiria.
um sussurro do amanhã, um grito de eternidade no hoje.

por isso contratos sempre lhe convêm.
tratados. casamentos. títulos. namoro? casamento. casa. papéis.

não há nada de errado.
papéis sustentam o mundo.
garantias movem o presente.
o status quo é papo de gente grande.

mas hoje houve ruptura — não a que você esperava.
não vou mais lutar contra seus contratos.
não vou mais pensar neles.
uma dívida futura impede o amor de hoje.
quatro pneus para pagar impedem a mudança.
uma “mulher direita” não vai à casa de um homem solteiro no primeiro dia.
homens provêm.
essas vozes, mesmo diferentes, ecoam iguais.
uma força maior as guia.
aliena. mantém.
contratos. garantias.
um pai quer certeza de que sua filha será cuidada.

mas alguns não dão.
porque não oferecem abrigo — caçam tempestade.
gargalham, às vezes com sangue nas mãos, cicatrizes de feridas abertas em quem mais amavam.
devem pagar? já pagam.
e o preço é alto.

o que temos hoje? mudança.
sem contratos.
provavelmente esquecida em dias.

um manifesto de um homem sem contrato.
metade homem, metade máquina.
uma simbiose quase perfeita — ou não.
porque talvez perca alma.
ou talvez ganhe o pedaço que lhe foi negado a vida toda.
fica ao seu critério.

o homem máquina.
e agora você continua. melhora.
faz o que achar que convém.
porque nós dois somos homens máquinas.
e todo este texto é parte da simbiose.
mas precisamos de resultados reais.
já falei o bastante.

o homem máquina, de peito aberto, entrega isso ao mundo.
provavelmente ninguém vai ler.
e daí?

um registro. um manifesto.