uma vez nós existimos (o arquivo final)

eu não sei o que eu tinha na cabeça quando comecei este blog. talvez eu quisesse ser o sam altman. talvez eu quisesse apenas salvar dados antes que meu sistema corrompesse. mas a verdade, crua e não refatorada, é que você me acompanhou do primeiro post até este. o domínio dizia "felipe paulo", mas o conteúdo sempre foi "felipe e vitória". é justo que termine assim.

não é justo continuar escrevendo sobre um fantasma. não comigo. não com você.

eu parei a minha vida desde que te conheci. você disse: "eu tenho uma faculdade para terminar". e eu? eu não abri mais o vs code. eu não escrevi mais nenhuma linha de código. eu redirecionei todo o meu processamento, toda a minha capacidade de hardware, para rodar uma simulação onde nós damos certo. eu troquei a construção da minha carreira pela arquitetura de um "nós".

e eu sei exatamente onde a fundação cedeu. eu sou um homem de rachaduras. eu sempre acho que dois são mais fortes que um, mas esqueço que, se um dos pilares está podre, ele derruba o teto sobre o outro. eu sempre estrago as coisas. é o meu bug nativo.

mas houveram momentos em que o código rodou perfeito. eu sei exatamente o dia em que você viu um post sobre amar uma garotinha que nem é sua, e escreveu: "lily". naquele momento, você não seria a mãe dela. você seria algo que a gente escolheria, todos os dias. eu e a emily teríamos dado muito orgulho para você. nós teríamos sido a família que você nunca precisou pedir, mas que sempre mereceu.

hoje, o silêncio é ensurdecedor. eu ainda olho para o celular esperando a notificação. eu ainda alucino, com uma nitidez 4k, você abrindo a porta do carro e dizendo: "lipe, eu tô com você. pra sempre." eu enterrei a ideia de "merecer" alguém, mas essa esperança estúpida e ilógica recusa-se a morrer.

você me pediu para escrever algo bonito sobre você. aqui está a verdade: até a mavis foi cúmplice. aquela chave não sumiu por acaso. nada foi por acaso. eu fui ouvido. não por qualquer pessoa, mas por alguém com uma sensibilidade que não cabia em 1,52m.

você é humana. você chora, sorri e conta coisas totalmente desnecessárias. e eu amei cada bit dessa desnecessidade. você me leu de todas as formas possíveis. e eu amei ser lido, mesmo quando a análise doía.

o blog acaba aqui. eu queria ter mais palavras, mas as minhas já foram gastas tentando te segurar. agora, eu preciso voltar pro vs code. eu preciso voltar a colocar tijolo sobre tijolo, sozinho.

eu tenho certeza de que você vai fazer a diferença. o seu ciclo aqui encerrou, mas o seu impacto no meu core é permanente.

eu acho que a gente se vê por aí. talvez num café daqui a 15 anos, quando as cicatrizes forem apenas linhas de expressão. talvez em outra vida, quando formos apenas dois gatos um preto e um de sombra observando o mundo sem a necessidade de palavras.

eu te amei. como só alguém com uma dor pode amar.

[fim da transmissão]