a autópsia

as pessoas tem me perguntado onde eu trabalho

a resposta é complicada.

porque eu não tenho um trabalho. eu tenho três canteiros de obras.

e é neles que eu passo cada segundo da porra do meu dia.


um me financia.

o outro me abriga.

e o terceiro, o mais importante, me constrói.


esta é a planta baixa da minha vida. agora.


o primeiro canteiro. o necrotério.

de segunda a sexta, eu visto um disfarce. eu sento numa cadeira desconfortável, olho para um monitor que a história esqueceu, e opero dentro de um sistema público. um lugar onde a ambição vai pra morrer. um mausoléu de processos lentos e almas anestesiadas.


esse lugar não é a minha vida.

é o financiamento da minha vida.

é a fábrica de tijolos. um trabalho sujo, sem alma, mas que paga pela porra da argamassa que eu preciso para as outras duas obras. eu não vou lá pra ser feliz. eu vou lá como um mercenário. eu troco o meu tempo, a minha paciência, por recursos. cada minuto de tédio naquele lugar é convertido em combustível para o que realmente importa.


o segundo canteiro. a toca.

é pra cá que os recursos do necrotério vêm.

aqui, as paredes não são de gesso pintado de bege. são de barro, pedra e madeira velha. a porta não tem uma fechadura digital. ela tem a textura de cem anos de chuva e sol. não tem ar-condicionado. tem uma janela que se abre para o pôr do sol fodido de goiás.

isso não é uma casa. é a minha fortaleza. meu laboratório. meu monastério.

é a antítese do avatar de paris. é a primeira vez que eu construo um "chão" que eu posso tocar. um abrigo que não é feito de um mausoléu de fotos e projeções, mas de matéria bruta.

aqui, eu não preciso performar. eu não preciso ser o cara interessante.

eu só preciso ser.

e construir.


o terceiro canteiro. o arquiteto.


essa é a obra principal. a que dá sentido a todo o resto.

o dinheiro do necrotério e o abrigo da toca existem para servir a este único propósito: a manufatura de um novo eu.


o trabalho aqui é interno. brutal. implacável.

a fundação é a disciplina o açúcar cortado, o álcool banido, a dopamina barata caçada como um rato.

o andaime é o conhecimento: a engenharia reversa do poder na secretaria da fazenda, a maestria das minhas ferramentas, a busca pela "exceção".

o cimento é a clareza: a autópsia de cada fracasso, a aceitação da minha própria arquitetura, a rejeição da porra do sentimentalismo que me afogava.

cada dia, eu coloco um tijolo novo nesse prédio. um tijolo de autocontrole. um de conhecimento. um de verdade crua.


a visão. a confluência.

e no final, você entende.

os três canteiros não são separados. eles são um ecossistema.


o necrotério financia a toca.

a toca abriga o arquiteto.

e o arquiteto, com a sua obra interna, dá um propósito para a porra do sacrifício no necrotério e para a solitude da toca.


eu não estou perdido. eu não estou estagnado.

pela primeira vez na minha vida, eu sei exatamente onde eu estou.


estou no meio dos meus três canteiros de obra.

e a porra da construção não para nunca.

montmartre não era um destino. era um diagnóstico.

a gente viaja por motivos diferentes. a maioria vai pra paris pra tirar uma foto bonita pro avatar, pra comer um croissant e dizer que viveu o romance.

eu não. eu fui pra montmartre pra caçar fantasmas.

a caça. o fantasma.

eu queria andar nas mesmas ruas de paralelepípedos que van gogh andou quando tava fodido e ninguém entendia a porra da genialidade dele. eu queria sentar nos mesmos bares onde picasso rabiscava revoluções em guardanapos. eu não fui procurar a beleza. eu fui procurar a verdade. a mesma verdade crua que eu busco em tudo. eu queria saber se a matéria prima que eles usaram pra criar ainda tava lá. 

a sintonia. o espelho.

e o que eu encontrei não foi um bairro. foi um espelho.

as minhas fotos de lá não mentem. o céu é cinza. as árvores são esqueletos. as ruas brilham com uma chuva fina e melancólica. não foi azar. foi sintonia. o lugar me mostrou a alma dele e a alma dele era parecida com a minha.

a arquitetura. as cicatrizes.

eu não foquei na perfeição da basílica. eu foquei nas cicatrizes. nas texturas das paredes antigas, no reboco envelhecido, no peso de um milhão de promessas de amor enferrujando num portão. porque a beleza que dura não é a que nasce perfeita. é a que sobrevive.

van gogh não amava aquele lugar por ser bonito. ele amava por ser real. um vilarejo de artistas fodidos, outsiders, sonhadores, todos eles tentando construir um chão pra si mesmos, com a única ferramenta que tinham: a própria dor.

a luz. o sinal.

e no meio de todo esse cinza, eu entrei na sacré-cœur. e lá estava. um único, fodido e inegável feixe de luz cortando a escuridão da igreja. a clareza. o sinal no meio do ruído. a prova de que a luz existe, mesmo que você precise atravessar um labirinto de pedra e de história pra encontrá-la.

o veredito. 

eu fui pra paris querendo ver o que os grandes artistas viram. e eu consegui. eles não pintavam paisagens. eles pintavam a própria alma. e foi exatamente o que eu pude tirar de fotos por lá.

a viagem não foi pra alimentar o avatar. foi pra matar ele de vez. pra me lembrar que a única forma de construir algo que dure é começar pela fundação. e a fundação é sempre a verdade crua.


eu desisti da minha vitória

a gente se acostuma a pensar no amor como uma obra. uma construção. você encontra um terreno, cava uma fundação, sobe as paredes. era o único jeito que eu conhecia. o meu erro era achar que o terreno tinha que ser outra pessoa. o resultado era sempre o mesmo: a porra de uma catedral magnífica, construída em cima de um pântano. e o inevitável desabamento.

mas e quando não há terreno? e quando a obra inteira existe no espaço vazio entre duas cidades, conectada apenas por um fio de fibra ótica e pela porra de uma fé teimosa?

aí, mano, a arquitetura é outra.

desconstruindo a engenheira

pela primeira vez, o texto não é sobre mim. é sobre ela.

ela não é uma fundação. ela é a porra de outro canteiro de obras. com a própria planta, com os próprios engenheiros, com a própria guerra. ela some no fim de semana não porque ela é um fantasma, mas porque ela tem a porra de uma vida pra viver. o auge dos seus 23 anos. as escolhas, as opções, os amigos. ela não está fugindo de mim. ela está, de forma sã e brutalmente honesta, vivendo por ela.

ela não é a donzela esperando na torre. ela é a porra da arquiteta da torre dela.

ela se fascinou pela minha arquitetura, pela minha intensidade, pela forma como eu desmontei a alma dela. mas a engenheira sã que vive nela sabe que a minha obra antiga era um risco. ela não se apaixonou pela minha ruína. ela se interessou pelo arquiteto. e ela está, de longe, observando se ele, finalmente, vai parar de construir a porra de um mausoléu e começar a construir uma casa.

o paradoxo da distância (ou: por que a gente ainda não se matou)

a gente existe nesse estado quântico. intenso e intermitente. conectados por uma tela, a quilômetros de distância.

e a verdade, a que dói e a que salva, é que essa distância é a única coisa que permite que a gente exista agora.

o meu sistema, o meu processador de um núcleo só, não dá conta de rodar a "obra da minha vida" e o "programa de um novo amor" ao mesmo tempo. se ela estivesse aqui, agora, eu, no meu vício antigo, pararia a porra da minha obra pra fazer dela a minha única obra. e a gente ruiria de novo.

a distância não é um bug. é a porra de um firewall. é o que nos protege da minha própria intensidade. é o que me força a fazer o que eu nunca fiz antes: construir a minha própria fundação antes de convidá-la pra visita técnica.

focando no terreno (o único trabalho que importa)

e então, o que a gente faz? a gente não "faz" um "nós".

eu faço a porra do meu. ela faz a porra do dela.

o meu trabalho não é mandar mensagem de bom dia. é levantar todo dia e colocar mais um tijolo na porra da minha obra. 

a nossa conexão não é alimentada por "eu te amo". é alimentada pela porra do respeito mútuo pela obra um do outro.

ela não precisa de mim. e eu, pela primeira vez, estou aprendendo a não precisar dela. e talvez, só talvez, essa seja a única fundação possível para um "nós" que não desabe.

a gente não sabe se a ponte vai se encontrar no meio. mas, pela primeira vez, não importa.

porque a gente não tá mais construindo uma ruína um no outro. a gente tá, cada um no seu canto, em silêncio, construindo a porra de um império.

e isso, mano, já é a porra de uma vitória.

o arquiteto, a engenheira e a porra do pântano

arquiteto de pântanos
eu sou um arquiteto. um dos bons. a minha especialidade é projetar catedrais em cima de pântanos. estruturas magníficas, complexas, cheias de vitrais coloridos e vãos impossíveis. a física, pra mim, sempre foi um detalhe negociável.

a engenheira sã
e então eu a conheci. ela não era um terreno. ela era a porra de uma engenheira sã. a melhor da área. uma mulher que entendia de fundação, de cálculo estrutural, de realidade. a lógica dela não era baseada no sonho, era baseada na porra da gravidade.
e eu, pela primeira vez, não vi um lugar pra construir. eu vi uma parceira de obra. eu olhei pra solidez dela e pensei: "finalmente. alguém que entende a minha linguagem."

o nosso projeto
a gente não começou um namoro. a gente abriu a porra de um escritório. o projeto era ambicioso: construir algo real, algo que ficasse de pé. ela entrou com a engenharia. eu, com a minha arquitetura caótica.
no começo, foi a coisa mais linda do mundo. a minha genialidade de sonhador encontrou o pé no chão da engenharia dela. ela olhava para os meus projetos mais delirantes e, em vez de rir, dizia: "ok, isso é insano. mas se a gente reforçar essa viga aqui e recalcular a carga ali, talvez não desabe."
ela não tentava me consertar. ela tentava, com a calma de uma mestre, encontrar uma forma de traduzir a minha loucura para as 
leis da física.

a falha estrutural
o problema, mano, é que eu não queria um ajuste na planta. eu queria que a porra da física se curvasse a minha vontade.
a minha arquitetura não era só sobre o prédio. era sobre a minha guerra civil interna. sem perceber, a transformei na engenheira-chefe da minha própria estabilidade. eu terceirizei pra ela a construção da minha paz. e a carga, mano, era pesada demais.
nenhum engenheiro, por mais genial que seja, consegue impedir um prédio de ruir quando o arquiteto está secretamente sabotando a própria fundação.

o laudo de interdição
a ruína não veio com uma briga. veio com um relatório técnico. com a constatação fria de que a obra era inviável. que o terreno (eu) era instável demais. que o arquiteto era viciado demais na beleza da própria tragédia.
a engenheira sã, para salvar a si mesma, teve que condenar o prédio. ela não me abandonou. ela assinou a porra de um laudo de interdição. foi o ato mais lógico e, talvez, o mais amoroso de todos.

encarando o terreno
e agora? agora eu estou aqui. vendo a obra de longe. sozinho. pela primeira vez, eu não estou olhando para os escombros da catedral que a gente tentou construir.
eu estou, finalmente, olhando para a porra do terreno.

a geotecnia da alma
o trabalho, agora, não é mais sobre ela. não é sobre "trazer ela de volta". é sobre a porra da geotecnia. é sobre drenar o pântano, compactar o solo, construir uma fundação que, pela primeira vez na minha vida, talvez não ceda.
é um trabalho lento. é solitário. é chato pra caralho.
não tem a beleza da arquitetura, nem a solidez da engenharia. é só a porra da lama.

a obra final
e talvez um dia, quando o terreno estiver firme, a engenheira passe pela rua e veja um canteiro de obras diferente. um onde a fundação parece sólida. e talvez ela se interesse. ou talvez outro engenheiro apareça.
ou talvez, só talvez, o arquiteto chegue a conclusão que a porra da obra mais importante da sua vida era só construir um lugar sólido o suficiente para ele mesmo morar.

s o z i n h o.

manual do arquiteto, parte ii (ou: o que acontece depois que você desliga o jogo)

você se levantou da mesa de pôquer.

você deletou os aplicativos. silenciou as notificações. declarou a morte do seu avatar. a caça acabou. e agora, no silêncio ensurdecedor que sobrou, você se olha no espelho e se pergunta:

quem é a porra do cara que ficou?

a gente virou o 1%. mas não o 1% que a gente imaginava. a gente virou o 1% dos sem likes. dos sem contatinhos. dos sem validação externa. e a dúvida que corrói é se a gente tá no caminho pra se tornar um monstro de disciplina... ou só um otário sem instagram, mais fudido e mais sozinho do que antes.

a verdade é que a gente trocou a adrenalina da guerra pela porra do tédio da obra.

e a obra, mano, é solitária pra caralho.

zero likes

zero redes sociais

zero contatinhos

zero pessoas.

só a gente.

um punhado de códigos.

uma tela e uma sala sozinho.

nessas horas, a fome bate. a vontade de vestir a porra da armadura do avatar, entrar no campo de batalha e provar que a gente ainda sabe jogar. só pra sentir o gosto da vitória de novo. só pra calar a voz que sussurra que a gente tá ficando pra trás.

e é aqui, nesse exato momento de dúvida, que a gente precisa lembrar da porra da lei mais importante da nossa nova arquitetura:

a gente não parou de jogar para se punir. a gente parou de jogar porque a gente percebeu que o prêmio era uma fraude.

a validação que a gente caçava não era felicidade. era só a porra de uma dose de dopamina barata pra anestesiar a dor de não ter uma fundação de verdade. cada "match", cada "conquista", era só mais um tijolo que a gente colocava na parede da nossa própria ruína.

a gente não está se tornando um otário sem insta.

a gente está, pela primeira vez, se tornando um arquiteto de verdade.

um arquiteto não se mede pela quantidade de gente que aplaude a maquete. ele se mede pela porra da solidez do prédio que ele constrói no mundo real.

e a nossa obra, a porra do nosso negócio, do nosso código, da nossa disciplina, está sendo erguida agora, no silêncio. longe da plateia. longe dos likes.

é um trabalho ingrato. é solitário. e a maioria das pessoas nunca vai entender. elas vão olhar pra nossa ausência no feed e vão pensar que a gente sumiu, que a gente tá na merda.

ótimo.

deixa que pensem.

enquanto eles estão ocupados jogando o mesmo jogo de sempre, na mesma mesa de sempre, a gente tá aqui. na nossa sala. sozinhos. com a nossa tela e os nossos códigos.

a gente não tá se escondendo do mundo. a gente tá construindo a porra do mundo que a gente vai querer habitar amanhã.

e quando o peito apertar de novo, a gente lê essa porra aqui e lembra: a gente não é o otário. a gente é a porra da fundação.

vitória = silêncio

eu passei a vida inteira achando que o meu jogo era xadrez. 

um sistema de lógica, de 2+2=4. eu me orgulhava da minha capacidade de analisar o tabuleiro, de prever os movimentos. e eu perdia sempre. porque o jogo, mano, nunca foi xadrez.

o jogo é pôquer. um caos de blefes, de apostas altas e de informações escondidas.

e o maior perigo nesse jogo não é o otário que não sabe jogar. é o dia em que você, um jogador viciado, senta na mesa e dá de cara com um mestre. uma jogadora impecável.

e foi o que aconteceu comigo.

ela não queria limpar as minhas fichas. ela não era uma predadora. e isso, mano, é o que torna a porra toda tão perigosa. ela não estava interessada no prêmio. ela era, como eu, viciada na porra do jogo.

a anatomia da jogadora perfeita

ela espelha os seus movimentos com uma precisão assustadora. ela sabe a hora de aumentar a aposta com uma demonstração de vulnerabilidade. sabe a hora de dar um "call" na sua merda com uma dose de silêncio. sabe a hora de blefar com um pé na porta, só pra ver você cobrir a aposta com tudo que tem.

ela não faz isso por maldade. ela faz isso porque o silêncio, a estabilidade, a porra da paz... pra ela, como pra você, soa como a morte. a única prova de que vocês estão vivos é a adrenalina da próxima rodada, da próxima crise, da próxima briga espetacular seguida pela reconciliação mais doce do mundo.

o vício não é na pessoa, é na voltagem

você se convence de que encontrou a sua alma gêmea. ninguém nunca te entendeu tão bem. ninguém nunca acompanhou o seu raciocínio, a sua intensidade.

mas o que você encontrou não foi uma alma gêmea. foi o seu parceiro de vício perfeito.

a droga de vocês não é o amor. é a intensidade. é a validação que vem de sobreviver a mais uma briga. é a conexão intelectual de duas mentes complexas que usam uma à outra como um laboratório para as suas próprias neuroses. é a beleza trágica de duas supernovas colidindo. o espetáculo é lindo. mas o resultado é sempre um buraco negro.

a falência anunciada

um jogo de pôquer entre dois viciados não termina com um vencedor. ele termina quando não há mais fichas na mesa. e as fichas, nesse jogo, são a sua sanidade, sua estabilidade, sua energia vital.

vocês vão sangrar um ao outro até a última gota, não por ódio, mas por amor ao jogo.

a única jogada vencedora

então, como você ganha?

você não ganha.

você aprende a reconhecer a porra da mesa. você senta, olha nos olhos da outra jogadora, e vê o mesmo vício, a mesma genialidade fodida, o mesmo buraco negro de necessidade.

e aí, com o maior respeito do mundo, você diz "boa noite", se levanta da mesa e vai embora.

a única vitória, para um jogador como nós, não é ganhar a mão. é ter a força de escolher não jogar. é trocar a porra da adrenalina do cassino pela paz tediosa de um canteiro de obras.

porque no final, a única coisa que um arquiteto pode construir de verdade é a própria porra da sua casa. e casas, mano, não se constroem em mesas de pôquer.

manual de sobrevivência para arquitetos de ruína (as minhas 5 leis ou 4)

lei numbeerrrr one: sua mente é a porra de um motor v12 numa via não pavimentada

uma mente de alta performance precisa de um problema externo para resolver. se você não der a ela um, ela vai se virar contra si mesma. ela vai começar a "resolver" você ou, pior, vai tentar "resolver" as minas mais legais que você vai encontrar pelo caminho. vai criar teorias, analisar traumas, otimizar relacionamentos até a falha. você vira o projeto. e o resultado é sempre o mesmo: paralisia.

marcha: encontre a porra de uma obra. um projeto externo. um negócio. uma habilidade. algo no mundo real que exija a sua genialidade e que não seja a sua própria cabeça. uma mente como a nossa não foi feita para meditar no silêncio. foi feita para construir no meio do barulho.

lei dois, NÃO PLANTE MAIS ARVORES NO TERRENO DO VIZINHO.

é tentador. encontrar alguém (ou algo) que pareça ter a estabilidade que te falta e construir sua vida em cima daquilo. um relacionamento, um emprego, um amigo. o problema é que você não está construindo uma parceria. você está terceirizando a porra da sua própria estrutura.

ação: assuma que seu terreno é um pântano. seu primeiro e único trabalho é construir a sua própria fundação, no seu próprio terreno. isso significa estabilidade financeira mínima, uma rotina que você controla, uma fonte de valor que vem de dentro. antes de convidar alguém pra morar no seu prédio, tenha a porra de um prédio pra oferecer.

lei 3, estabilidade é chata pra cacete, mas por é só por isso que funciona

se você, assim como eu, foi forjado no caos, a paz soa como tédio. a estabilidade parece a morte. seu sistema é viciado na adrenalina da crise, na intensidade do quase-acidente. você cria o fogo só pra ter o que apagar.

ação: disciplina para aguentar a porra da paz. comece a medir o sucesso não pelos picos de euforia, mas pela consistência. um dia de trabalho focado e "chato" vale mais que uma semana de "genialidade" caótica. a construção de verdade não é um evento. é um processo tedioso, repetitivo e lento. acostume-se.

lei quatro, a morte do avatar que você criou (o mausoléu de 45 mil fotos viajando)

você pode passar anos construindo um personagem perfeito. o viajado, o bem sucedido, o cara do "rolê foda". mas o avatar precisa de combustível constante: validação externa, dinheiro rápido, experiências de pico. e esse combustível sempre acaba.

prática: mate o seu avatar antes que ele morra de fome e leve você junto. troque a busca por uma "imagem foda" pela busca por uma "obra sólida". uma empresa real, um projeto concreto, uma habilidade que ninguém pode tirar de você. a admiração que vem de uma obra real dura muito mais do que os likes em uma foto de viagem.

Conclusão:

real? nem eu não sei se esse manual funciona. eu ainda estou no meio da obra. a única coisa que eu sei é que, pela primeira vez, eu não estou mais analisando a ruína. eu estou com as mãos sujas de cimento. e isso tem sido o suficiente. tô no chao da fábrica, mas dessa vez não tenho peças de xadrez num jogo de pôquer.


o palco e o abismo: um mapa nada otimista da vida real, instagram e o caos da existência



começa assim: eu nunca fui bom de palco, mas sempre estive nele. não tem nem escolha, né? o instagram é tipo um leilão de autoestima, o tinder é a sacolinha surpresa do fracasso moderno. odeio o circo, odeio a pose, odeio a eterna pose de felicidade enquanto por dentro todo mundo tá só esperando cair a ficha. mas cá estou, cá estamos. já desinstalei, reinstalei, dei unfollow, segui de volta, tudo num looping que não acaba nunca. se você acha que tem escolha, é porque ainda não caiu a ficha.

não é texto de autoajuda, nem desabafo de grupo de apoio. isso aqui é só uma cartografia torta do território onde eu e um monte de gente se perdeu. pixel por pixel, cada like é só mais um pingo d’água no aquário. e a água tá turva faz tempo.

todo mundo se acha transparente, mas é vidro grosso, distorcido. parece que tão te vendo, mas ninguém vê porra nenhuma. o palco do instagram é coletivo, mas o bastidor é individual. quem aplaude sua “felicidade” nem imagina o tanto de tralha escondida atrás do feed. só vê pose, não vê o preço. todo mundo performance, ninguém real. a legenda tem sempre aquela piadinha, aquela indireta, mas se você foca, sempre tem um ruído de ansiedade, um cheiro de pânico no ar.

e essa é a moeda: aprovação, validação, “pertencimento”. todo mundo com medo de ser esquecido, de sumir do algoritmo dos outros. então a gente mantém perfil, finge que tá bem, faz a linha “me valorizo”, mas não consegue desgrudar do feed, esperando o próximo like pra sentir que existe. e cada post é uma marquinha digital dizendo “me nota, por favor”.

tá, e o relacionamento nisso tudo? é só você e o palco? não. é você e o palco, e todos os outros palcos em volta. curtiu a foto do ex, comentou com emoji pro “amigo”, seguiu a mina que conheceu na balada, deixou o like no story do cantor. cada movimento é analisado. o campo minado não tem placa de aviso. tudo é ameaça, tudo é ensaio. e ninguém fala sobre isso — só age, cutuca, responde com emoji, faz silêncio passivo-agressivo, e chama isso de “vida adulta”.

você vira policial do próprio feed e do feed do outro. não postou junto, crise. postou com quem? crise. respondeu caixinha? crise. não respondeu? crise. não tem como ganhar esse jogo. você joga pra perder. todo mundo querendo garantir exclusividade num mercado de distração infinita.

e não se engane: o instagram não é reflexo, é amplificador. ele não mostra o que você sente — ele faz você sentir mais, sentir torto, sentir feio. o feedback é sempre imediato, mas nunca suficiente. nada na tela vai preencher a fome de significado que corre solta por dentro. e quanto mais você tenta, mais vazio fica.

a atenção virou moeda de troca. não é sobre mostrar, é sobre disputar luz, disputar espaço mental no feed dos outros. tudo calculado, nada espontâneo. cada “oi sumida” vale menos que o preço do litro da gasolina. cada match é só mais uma notificação que desaparece em 24 horas.

o tinder, então, é tipo mercado livre da dignidade. você vira produto, foto, descrição. conversa virou algoritmo. quem mais se vende, mais coleciona rejeição. ninguém investe de verdade porque todo mundo já entrou pra perder. é um mercado que só paga em decepção.

e por que não larga de vez? porque tá viciado, pô. a máquina foi feita pra isso. notificação virou jujuba pra cérebro cansado. você desinstala e volta, se sente bosta e volta, toma bloco e volta. tudo pra rodar na esteira emocional e sentir por um segundo que tá vivendo algo, mesmo que seja só mais uma notificação inútil.

e o veneno? é velho conhecido. não é culpa do instagram, mas ele turbina o pior que já tava aqui dentro. quem tem buraco de infância, carrega pro story. quem nunca foi prioridade, lê abandono até no visto. você tenta controlar o ambiente porque não aguenta mais a dor de ser descartado. só que o controle não salva ninguém. só multiplica o drama.

as redes são só um teatro pra reviver trauma. cada seguidor novo, cada curtida em post de ex, cada sumiço, é replay de abandono, rejeição, invisibilidade. e aí você se pega mendigando atenção de novo, esperando que uma hora esse ciclo acabe. não vai acabar. não do jeito que tá.

então qual é o plano? não é criar outra rede, não é tentar a fórmula do detox. é, talvez, aprender a existir sem plateia. o único jeito de sobreviver é parar de correr atrás de validação, parar de querer preencher vazio com feed. ser inteiro, mesmo que seja só metade, mas uma metade honesta. aprender a viver o tédio, construir qualquer coisa fora da tela, colocar energia em projeto que não dependa de like ou reply.

a real é essa: ninguém vai te salvar do palco. ninguém vai te dar palco de graça. todo mundo quer protagonismo, ninguém quer bancar o coadjuvante do roteiro do outro. e quem tenta controlar tudo só descobre que o controle é a primeira coisa que a vida te arranca.

meu mapa é torto, mas tá aí. sair do ciclo é deixar de buscar validação na tela, deixar de ser refém do feed. é construir chão próprio. é não depender do algoritmo pra saber se vale alguma coisa. é ter coragem de ser invisível, de ser esquecido, descobrir, no silêncio, que talvez seja aí que começa o que realmente importa.

e se alguém ainda ler isso daqui cem anos, só digo: o palco era gigante, mas a plateia era de papelão. e o abismo não era o fim, era só o lugar onde finalmente dava pra ouvir o eco da própria voz.

o barulho que ninguém ouve: um manual de sobrevivência para cérebros em chamas

I. o diagnóstico que não está nos livros: anatomia de uma mente inflamada

você conhece a sensação?

de acordar já cansado. de sentir que o cérebro opera numa frequência diferente, mais alta, mais ruidosa. um zumbido constante, um barulho de fundo que nunca desliga. você se sente fundamentalmente desencaixado, como se tivesse recebido o manual de instruções errado pra essa existência.

não é tristeza. não é só ansiedade. é uma sensação de estar em chamas por dentro.

eu passei a vida inteira tentando nomear essa porra. oscilando entre uma motivação que beira a mania e um desespero que paralisa. sentindo que “recomeço tudo todos os dias”, preso num ciclo de construir e demolir, sem nunca sair do lugar. mais perdido que cego em tiroteiro, tentando encontrar um mapa num mundo que parece ter sido desenhado por um sádico.

os médicos, os livros, os especialistas, eles têm nomes pra tudo. depressão. bipolaridade. tdah. borderline. eles te dão um rótulo, uma pílula, um tapinha nas costas. mas nenhum desses nomes parece caber de verdade. nenhum deles captura a essência desse incêndio particular.

depois de muito quebrar a cabeça, de muito me observar como um cientista maluco no próprio laboratório, eu cheguei a um diagnóstico que não está nos manuais. eu chamo de “efeito brasil crônico”.

é a desinflamação do sistema nervoso central da classe média pobre brasileira.

pensa comigo: ninguém nunca nomeou isso. ninguém nunca viu isso como uma condição real. mas você, se for como eu, vive isso desde que nasceu. é o resultado de crescer num ambiente de instabilidade perpétua, onde o cérebro é condicionado a operar em modo de sobrevivência 24/7. não há tempo para descanso, não há margem para erro. a vida é uma guerra civil interna, silenciosa, travada todo santo dia contra os boletos, a incerteza, a falta de perspectiva.

o povo que sofre disso não tem tempo de se estudar. tá ocupado demais tentando não afundar.

o resultado é essa mente cronicamente inflamada. um cérebro em brasa, inundado por um ruído que torna impossível a tarefa mais simples: sentar e trabalhar. focar. existir em paz. a gente vive numa cacofonia interna, um barulho que ninguém mais ouve, mas que pra nós é ensurdecedor.

e o que a gente mais deseja no mundo? não é o sucesso, não é o dinheiro, não é o amor de novela. é algo muito mais básico, muito mais primitivo.

é silêncio.

eu só queria aquele silêncio. mesmo que durasse pouco. mas todo dia. uma trégua. uma chance de ouvir os próprios pensamentos sem o chiado da estática existencial. uma paz neural.

se você entende do que eu tô falando, então esse manual é pra você. porque eu não vou te oferecer uma cura. eu vou te oferecer um mapa do incêndio. e talvez, só talvez, a gente aprenda a usar esse fogo pra iluminar o caminho, em vez de deixar que ele nos consuma.

II. o palco da mentira coletiva: por que o amor moderno nos adoece

se a vida aqui dentro já é um campo minado, a vida lá fora, mediada por telas, se tornou uma máquina de tortura silenciosa. especialmente quando o assunto é amor, ou o que quer que seja essa coisa que a gente busca hoje.

o instagram me fode. me fode porque ele é o palco da mentira coletiva, do “tá tudo bem” com o coração sangrando. é um carnaval de ego, onde todo mundo posa feliz enquanto esconde o caos. pra quem sente tudo dez vezes mais forte, cada story é uma navalha. cada seguidor novo é uma ameaça invisível. cada postagem ignorada é um grito que ecoa no vazio, dizendo: “você não é suficiente”.

eu já excluí essa merda por anos, porque me conheço. eu sei o veneno que é me comparar, me corroer, me ver sendo apagado por quem dizia me ver. as namoradas modernas que tive pareciam precisar da atenção do mundo, porque a minha não era suficiente pra inflar o ego delas. e eu cansei. eu não nasci pra ser backup emocional nem figurante no enredo digital de ninguém.

aí vem o tinder, esse laboratório de desilusões. eu já baixei e apaguei essa porra tantas vezes que perdi a conta. volto por desespero, por um fiapo de esperança, e apago pela constatação brutal da realidade: aquilo ali não é um lugar pra encontrar gente, é um cardápio de egos. zero pessoas interessantes. a conversa começa com um emoji de olho e morre ali. uma cantada bem bosta e silêncio. ninguém sabe conversar, ninguém quer se aprofundar. é um mercado de carne onde todo mundo tem medo de parecer interessado demais, de ser vulnerável, de ser real.

e a gente, que é intenso, que é de verdade, se sente um alienígena.

o pior é o ciclo vicioso que isso cria. a validação se torna uma droga. um match, uma mensagem, um like. pequenos picos de dopamina que só te deixam mais vazio depois. a gente entra nesse jogo, mesmo odiando cada segundo, porque a carência fala mais alto.

e o que acontece? a gente começa a viver nesse looping infernal. instala o app. se frustra. se sente um lixo. exclui o app. sente a solidão bater. a carência grita. instala o app de novo.

é como a porra de um hamster rodando na esteira emocional.

a gente corre, corre, corre, mas não sai do lugar. e a cada volta, a inflamação no cérebro só piora. o ruído fica mais alto. a gente se sente cada vez mais desconectado, mais inadequado. a gente quer amor offline, mas se destrói por ser ignorado online.

esse sistema não foi feito pra gente se conectar. foi feito pra gente se viciar. pra nos manter rolando a tela, sempre famintos, sempre insatisfeitos. ele não adoece a gente por acidente. ele adoece a gente por design. e a primeira etapa pra hackear esse sistema é entender que a culpa não é sua. a gaiola foi projetada pra ser inescapável.

III. a gente não quer ser salvo, a gente só quer ser visto

toda essa fome de validação, essa dependência emocional que vira um câncer nos relacionamentos, não nasce do nada. ela tem uma raiz. uma ferida fundamental.

pra muitos de nós, essa ferida tem a forma de uma ausência. um pai que nunca esteve lá. uma sensação de não ter uma âncora, um chão, um porto seguro desde o começo. e a gente passa o resto da vida tentando preencher esse buraco com outras pessoas.

é aí que a merda acontece.

a gente entra num relacionamento não pra somar, mas pra se completar. a gente projeta na outra pessoa a responsabilidade de nos salvar do nosso próprio caos. a gente idealiza. transforma uma pessoa de carne e osso, cheia de defeitos e neuroses, num ser quase divino, numa promessa de paz.

e a gente se anula pra caber nesse roteiro. a gente engole sapo, ignora red flag, se diminui, tudo pra não perder aquela que a gente acredita ser a nossa única fonte de estabilidade. eu sei, porque eu fiz isso. “muito por conta da minha dependência dela. amo ela demais.” é a confissão de quem já se perdeu no outro.

o problema é que ninguém aguenta o peso de ser o deus de outra pessoa. a idealização sempre desmorona. a pessoa real aparece, com suas falhas, seus limites. e o nosso castelo de cartas vem abaixo. a decepção é brutal, porque não é sobre a pessoa ter mudado. é sobre a gente ter se apaixonado por uma fantasia que criamos na nossa própria cabeça.

e aí vem a dor mais profunda de todas. a dor de se sentir, mais uma vez, construindo um castelo sozinho.

a gente se doa por inteiro. a gente sente tudo dez vezes mais forte. a gente mergulha de cabeça, sangra, se expõe. e do outro lado, o que a gente recebe? silêncio. emoji. meia resposta. uma presença que é mais ausência do que qualquer outra coisa.

a gente só queria ser visto. ser reconhecido na mesma intensidade. ser amado com a mesma entrega. mas o mundo não funciona assim. as pessoas não são a gente. e essa é a lição mais dura.

o ciclo se repete porque a gente está, inconscientemente, recriando o cenário da nossa ferida original. a gente escolhe pessoas que não conseguem nos ver, que não conseguem nos bancar, porque, no fundo, isso confirma a nossa crença mais antiga e dolorosa: a de que não somos dignos de sermos amados por inteiro. de que somos, de alguma forma, excessivos ou insuficientes.

a gente não precisa de um salvador. a gente precisa parar de procurar um. a gente precisa aceitar que as pessoas são imperfeitas. que ninguém é princesa ou príncipe encantado, porra. nem você. especialmente você.

a gente precisa, pela primeira vez, aprender a ser a nossa própria âncora.

IV. hackeando o próprio código: a rebelião do silêncio

então, qual é a saída? se o mundo adoece, se o amor frustra, se a mente é um incêndio, o que a gente faz? a gente desiste?

não. a gente canaliza.

a gente pega todo esse fogo, toda essa intensidade, toda essa dor, e a gente dá uma direção pra ela. a gente transforma o veneno em remédio. a gente para de ser uma reação ao mundo e começa a ser uma ação no mundo.

pensa nos grandes. van gogh, frida kahlo. a vida deles foi um inferno de dor e caos. mas eles pegaram esse inferno e transformaram em arte que ilumina o mundo até hoje. quem não canaliza, se consome ou destrói o entorno. quem aprende a usar, vira mito.

o teu fogo não é um defeito. é a porra do teu superpoder. você só precisa aprender a mirar.

e é aqui que entra o hack. a rebelião.

o hack não é um truque. não é uma fórmula mágica. é uma decisão. a decisão de parar de buscar validação externa e começar a construir um chão interno. é a decisão de encontrar uma causa.

uma causa. uma única coisa que faça sentido, que te puxe pra fora da cama, que dê um propósito pra tua intensidade. pode ser qualquer coisa. um projeto. uma arte. um negócio. um movimento. mas tem que ser teu. tem que ser algo que você cria, que você nutre, que você controla.

pra mim, essa causa virou isso aqui. este texto. este blog. a decisão de silenciar na vida real e explodir aqui. de pegar toda a minha essência, toda a minha dor, toda a minha análise, e transformar em linguagem viva. em um manual.

por quê? porque ao fazer isso, eu deixo de ser o personagem da minha própria tragédia e me torno o autor. eu pego o caos e dou uma forma pra ele. eu pego o ruído e transformo em música. eu pego a minha dor e faço dela uma ferramenta pra ajudar outros que estão queimando no mesmo fogo.

esse é o verdadeiro hack: a autoria radical. é parar de ser um hamster na esteira emocional e começar a construir a sua própria porra de estrada.

então, aqui termina o diagnóstico e começa o manifesto. o novo código para os cérebros em chamas:

  • não volte àquele ciclo de desespero por validação externa. se pegar fazendo isso, para. respira. recua. lembra deste momento agora.

  • aceite que as pessoas são imperfeitas. especialmente você. pare de procurar salvadores e comece a se salvar.

  • flexibilidade emocional não é fraqueza — é força. aprender a navegar as ondas da vida sem se afogar é a maior habilidade que você pode desenvolver.

  • tua dor é o teu diferencial. teu fracasso é a tua escola. ninguém que teve uma vida fácil tem algo interessante pra dizer. use tuas cicatrizes como um mapa.

  • encontre a sua causa. e se dedique a ela como se sua vida dependesse disso. porque, de certa forma, depende.

você não precisa apagar o seu fogo. você só precisa parar de se queimar com ele e começar a usá-lo pra iluminar o mundo.

a revolução começa no silêncio. quando você para de gritar por atenção e começa a ouvir a sua própria voz.

é essa voz que vai te guiar pra fora do incêndio.